Meus oito anos (Cassimiro de Abreu)

abril 03, 2016

Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !
Como são belos os dias
Do despontar da existência !
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é – lago sereno,
O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor !
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar !
O céu bordado d’estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !
Oh ! dias de minha infância !
Oh ! meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã !
Em vez de mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã !
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberta ao peito,
– Pés descalços, braços nus –
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis !
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo,
E despertava a cantar !
Oh ! que saudades que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais !
– Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais !


Análise do poema "Fanatismo"

     O poema “Fanatismo” de Florbela Esperança é contemporâneo. O eu - lírico expressa a sua obsessão pelo seu amado(a), levando-a como uma crença muito forte, e vendo seu adorado(a) como um ser quase que divino, como demonstra em seus versos: “Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida. (perdida porque ele acaba se perdendo na imensidão desse amor) Meus olhos estão cegos de te ver. (anda cego porque não consegue ver a realidade, vendo ela a sua idealização já é tão grande, que o que ele vê não faz parte do real) Não és sequer razão do meu viver Pois que tu es já toda minha vida!(e um sentimento tão grande que já tomou toda sua vida )”.



     O eu - lírico descreve um amor anormal, onde ele se prende a pessoa amada de uma forma tão intensa, que essa emoção chega a tomar conta de sua vida, de seus pensamentos, sonhos, ideais e de suas certezas de durabilidade desse amor, que para ele é permanente e até desdenha de pessoas que criticam dizendo ser passageiro, pois este sentimento é tão forte que se torna uma devoção com ele, tão exageradamente que se entrega a um amor muitas vezes platônico fazendo com que ele sacrifique sua existência a essa paixão que ocupa cada canto, cada momento que se torna perfeito e único, com uma dedicação excessiva e incondicional, vendo seu amado(a) como razão de seu viver.
Metáfora: "Amo-te como Deus ama suas criações."





Fanatismo (Florbela Esperança)

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida. 
Meus olhos andam cegos de te ver. 
Não és sequer razão do meu viver 
Pois que tu és já toda a minha vida! 

Não vejo nada assim enlouquecida... 
Passo no mundo, meu Amor, a ler 
No mist'rioso livro do teu ser 
A mesma história tantas vezes lida!... 

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa... 
Quando me dizem isto, toda a graça 
Duma boca divina fala em mim! 

E, olhos postos em ti, digo de rastros: 
"Ah! podem voar mundos, morrer astros, 
Que tu és como Deus: princípio e fim!..." 

Análise do poema "Canções de um violeiro"

     O poema "canção do violeiro" é um poema onde o eu-lírico é um sertanejo que está sofrendo a perda da sua amada, e expõe seus sentimentos através da viola. Ele mesmo não se reconhece e diz que essa angústia não faz parte de sua vida e escolhe ir buscar um novo amor, para preencher o deserto do seu coração em outras terras.

Metáfora: "Procuro a dona do meu coração, como João de barro guarda sua amada."

Canção do violeiro (Castro Alves)

Passa, ó vento das campinas,
Leva a canção do tropeiro.
Meu coração ‘stá deserto,
‘Stá deserto o mundo inteiro.
Quem viu a minha senhora
Dona do meu coração?
Chora, chora na viola,
Violeiro do sertão.
Ela foi-se ao pôr da tarde
Como as gaivotas do rio.
Como os orvalhos que descem
Da noite num beijo frio,
O cauã canta bem triste,
Mais triste é meu coração.
Chora, chora na viola,
Violeiro do sertão.
E eu disse: a senhora volta
Com as flores da sapucaia.
Veio o tempo, trouxe as flores,
Foi o tempo, a flor desmaia.
Colhereira, que além voas,
Onde está meu coração?
Chora, chora na viola,
Violeiro do sertão.
Não quero mais esta vida,
Não quero mais esta terra.
Vou procurá-la bem longe,
Lá para as bandas da serra.
Ai! triste que eu sou escravo!
Que vale ter coração?
Chora, chora na viola,
Violeiro do sertão.

Análise do poema "Como eu te amo"

       O poema "Como eu te amo", de Gonçalves Dias, da escola literária Romantismo, retrata uma paixão absurda, tão grande e intensa que é capaz de colorir toda extensão azul do céu. 

         O eu - lírico do poema então compara o seu amor com as melhores sensações da vida e representa seu amor de forma simbólica nos encantos da natureza.

Metáfora: "Amo-te entre todas as sutilezas da bela natureza."

Como eu te amo (Gonçalves dias)

Como eu te amo

Como se ama o silêncio, a luz, o aroma,
O orvalho numa flor, nos céus a estrela,
No largo mar a sombra de uma vela,
Que lá na extrema do horizonte assoma;

Como se ama o clarão da branca lua,
Da noite na mudez os sons da flauta,
As canções saudosíssimas do nauta,
Quando em mole vaivém a nau flutua,

Como se ama das aves o gemido,
Da noite as sombras e do dia as cores,
Um céu com luzes, um jardim com flores,
Um canto quase em lágrimas sumido;

Como se ama o crepúsculo da aurora,
A mansa viração que o bosque ondeia,
O sussurro da fonte que serpeia,
Uma imagem risonha e sedutora;

Como se ama o calor e a luz querida,
A harmonia, o frescor, os sons, os céus,
Silêncio, e cores, e perfume, e vida,
Os pais e a pátria e a virtude e a Deus:

Assim eu te amo, assim; mais do que podem
Dizer-to os lábios meus, — mais do que vale
Cantar a voz do trovador cansada:
O que é belo, o que é justo, santo e grande
Amo em ti. — Por tudo quanto sofro,
Por quanto já sofri, por quanto ainda
Me resta de sofrer, por tudo eu te amo.

Análise do poema "Conselho de um velho apaixonado"

        Neste poema da escola literária contemporânea, percebe-se que um velho apaixonado expressa perfeitamente o que sentimos quando amamos verdadeiramente é de forma intensa, ele cita os sinais que confirmam que estamos amando.

        Como quando nos encontramos a pessoa certa, o coração para por alguns segundos, quando os olhares se cruzam e vemos um brilho intenso ou quando o seu primeiro e último pensamento do dia for essa pessoa.

        Ele dá conselhos para saber se a pessoa foi feita para você, se realmente vocês foram feitos um para o outro. Os sinais que ele cita, remetem que ele já tenha vivido essas experiências e esses sentimentos.

       Quando encontramos esse tipo de sentimento ao lado dessa pessoa, saberemos que será para vida toda.

        Há também casos de pessoas que encontram esse amor, só que não prestam atenção nesses sinais e acabam deixando essa paixão acabarem, já outras nunca acham seu amor verdadeiro na vida.

Metáfora: "Existem diversas paixões, mas apenas um amor."

Síntese do capítulo VI da obra "Noite na Taverna"

abril 02, 2016

A história inicia-se com Johann na taverna, quando decide contar sua experiência.
Johann estava competindo no bilhar com Artur. No meio de uma de suas jogadas, Artur esbarra contra a bola atrapalhando-a. Ele furioso estapeou seu adversário. Decidiram então, para resolver suas diferenças, duelas até a morte.
                Durante o preparo para o duelo, Artur escreve uma carta endereçada a uma das pessoas mais importantes de sua vida, sua mãe.
                No final do duelo, Artur é baleado, e, caído ao chão, pede que Johann pegue suas cartas onde havia instruções de um encontro. Para aproveitar a oportunidade de uma possível noite de sexo, ele segue as instruções.
                Ele chega ao encontro e tem uma noite que descreve como deliciosa. No entanto, ao sair, é abordado por um homem que o ataca, mas o atacante, por ele, é subjugado e morto. Tomado por uma estranha sensação, decide ver quem era o homem.
                Sem crer direito no que vê, ele percebe que o homem era seu irmão. Então corre para o quarto e encontra a virgem desmaiada pelo espanto de ouvir a luta.
                Em seu ultimo comentário com o taverneiro ele exclama: “A virgem era minha própria irmã!”.


                

Conselho de um velho apaixonado (Carlos Drummond de Andrade)


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer 

seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida. 
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, 
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu. 
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo 
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês. 
Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça: 
Algo do céu te mandou 
um presente divino : O AMOR. 
Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca, 
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro. 
Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas 
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar 
com ela em qualquer momento de sua vida. 
Se você conseguir, em pensamento, sentir 
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado... 
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos, 
chinelos de dedo e cabelos emaranhados... 
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... 
Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado... 
Se você tiver a certeza que vai ver a outra 
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela... 
Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. 
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes 
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. 
Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar, 
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. 
É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem 
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!

 
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